terça-feira, 10 de novembro de 2009

Posso contar com você?

Uma hora a ficha cai. Num gesto, numa música que você houve por acaso, num comentário inocente de alguém, num email que recebe, num detalhe que você não tinha percebido antes, ou quando, no caso, você lê um recado do seu coordenador de curso pedindo que reflita:



Engraçado como, dependendo do momento em que estamos vivendo, interpretamos as coisas ao nosso redor de diferentes maneiras. Selecionamos aquilo que, digamos assim, combina com a gente na ocasião. Eu, por exemplo, já tinha visto esse vídeo muitas vezes e só tinha dado atenção para o projeto em si, outras vezes na mensagem universal que ele passa, enfim.

Hoje, ele - o vídeo, quer dizer, o vídeo e também meu coordenador de curso - me fez pensar no quanto esse caminho é difícil. Esse caminho da faculdade, sabe? [desabafo mode on]

E eu não estou falando de frequentar aulas. Se você é um frequentador de aulas, sorry, esse texto não é pra você, porque estamos falando da vida acadêmica para quem realmente VIVE isso.

Concluí que tenho vivido isso de maneira tão desenfreada e intensa, que ainda não tinha me dado conta que já estou na metade. E a metade, nas palavras de Ana - que também fez com que caísse minha ficha - é dolorosa.

A metade não tem a empolgação do início, nem o alívio do fim. Ela é simplesmente a metade.

A única coisa que você sabe quando está na metade é que ainda tem muito que caminhar.

E o que tudo isso tem a ver com o vídeo?

Tem a ver com o percurso. Tem a ver com essa coleção de tropeços e acertos. Para mim, cada noite perdida é ganha no sorriso do outro. A pressão e o desespero de cada trabalho são facilmente substituídos pela satisfação do meu ego. Eu vivo isso. Cada livro, cada cerveja, cada dívida. A faculdade, pra quem a vive, é tudo isso.

No fim, ela só tem a ver com cada pessoa com que dividiu esses momentos.

Cada pessoa que vai, ou não, estar com você até o fim.


Ou, no meu caso, tem a ver com as pessoas que eu quero que estejam comigo até o fim. E, mais uma vez, estar perto, não é estar junto. Estar perto não é estar com, ou comigo.

E aí cinco minutos de vídeo te mostra que a distância entre as pessoas não é nada se elas estiverem juntas e motivadas por um único propósito. Até o fim.

E é isso. Tem um caminho longo, cheio de problemas. Você conta comigo até o fim? Posso contar com você?

"Whenever you're in trouble, won't you stand by me
Oh stand by me,
oh won't you stand now?
stand by me"

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Estar perto

não significa que você não possa estar, na verdade, a meio mundo de distância.

Estar perto não significa estar comigo, nem que você vai segurar minha mão quando eu mais precisar, falar o que precisa ser dito, ou resolver o que precisa ser resolvido.

E estar longe não significa que eu não tenha me importado, que eu tenha desistido. Só significa que essa parece ser não a melhor, mas, a ÚNICA saída, e a menos dolorosa.


"I would like to leave this city
This old town don't smell too pretty and
I can feel the warning signs running around my mind
And when I leave this island I'll book myself into a soul asylum
And I can feel the warning signs running around my mind
So here I go still scratching around the same old hole
My body feels young but my mind is very old
So what do you say?
You can't give me the dreams that are mine anyway
You're half the world away
Half the world away
Half the world away
I've been lost I've been found but I don't feel down."


Half the world away - Oasis: Não recomendo.

domingo, 1 de novembro de 2009

Consertar

"Quando você faz o seu melhor, mas não tem sucesso
Quando você tem o que quer, mas não o que precisa
Quando você se sente tão cansado, mas não consegue dormir
Preso ...

E quando as lágrimas escorrem pelo seu rosto
Quando você perde algo que não pode substituir
Quando você ama alguém, mas não dá certo
Poderia ser pior?"


Poderia. Sempre pode piorar.

Fix You - Coldplay: não aconselho.

sábado, 31 de outubro de 2009

Conveniente

Fingia uma vida, e vivia outra. Doía mais quando sorria. Ou quando questionada sobre seu riso falho. Ou quando surpreendida pelo riso alheio. Não entendia muito bem como funcionavam as regras do convívio social.

Não entendia, por exemplo, o por que de algumas pessoas estarem sorrindo enquanto ela sentia uma vontade enorme de fazer exatamente o contrário.

"Do que riem? Por que riem? Que tanto riem?"...Por que parecia tão difícil sorrir?

Já não sabia se o que a machucava era a falta de percepção das pessoas, ou a constatação de um egoísmo crônico que ela mesmo criara. Na dúvida continuava sorrindo, ou pelo menos fingia.

- Estariam eles também fingindo uma vida e vivendo outra? - questionava-se.

Certa vez, ensinaram-lhe que não existia nem o certo, nem o errado. Como explicar, então, que durante toda sua vida sentiu-se, assim, errada? Errada para aquela ocasião. Errada por discordar. Errada por concordar. Errada por questionar se, afinal, era ela quem estava errada...

Entre o certo e o errado, algumas pessoas - a maioria, na verdade - parecem concordar que existe a opção de ser conveniente. Conveniência para sorrir. Conveniência para fingir. Conveniência para viver.

Mas, para ela, a conveniência foi algo não herdado. Uma espécie de vocação que ela jamais possuiu - já que nunca se sentiu apta para realizar uma tarefa aparentemente fácil para o resto do mundo.

Então fingia além de seu sorriso, sua conveniência. E não que fingir fosse certo - ou errado, porque aí ela estaria julgando as pessoas e, segundo também lhe ensinaram, é errado julgar as pessoas e... [Ei, mas e aquela ideia de que não existe certo ou errado?]

Para cada nova pergunta, uma não resposta. Para cada não resposta uma nova dor. Para distrair a dor, uma outra pergunta. Perguntas para as quais ninguém tinha uma resposta.

E vivia uma vida, só sua. Uma vida errada, que só ela conhecia. Uma vida sem o menor traço de conveniência. Vivia sua dúvida só para ter certeza de que estava viva. Vivia essa angústia da qual não se envergonhava. Vivia sua dor porque lhe parecia mais original ser ela mesma.

E fingia essa outra, de todos. Sorrindo o que todos sorriem. Fingindo o que todos fingem. Cantando essa música que todos cantam. Dançando o que todos dançam. Ensaiando cada passo dessa silenciosa música de conveniências.

[um silêncio que rasga, um silêncio ensurdecedor]